quarta-feira, 12 de maio de 2010

Um Contrato de Amor (com onerosidade excessiva)

Oblato era um garanhão. Sempre o fora. Mulher nenhuma havia sido capaz de resistir a suas pretensões. Isso pelo menos até ele conhecer Maria Lúcia, que acabou por tornar-se a promissária de seu coração.


Oblato nunca foi de uniões estáveis, mas com ela queria contrair matrimônio e prometera ainda, que por ela abandonaria todos os seus vício redibitórios. E, por não conseguir dela se aproximar sem extrapolar sua competência e lhe bambearem as pernas, foi que outorgou a Mandato, seu amigo de infância, o dever de citá-la em seu nome e estabelecer as negociações preliminares.


Caso superveniente foi aquele, para a amortização do nosso herói, que nem a teoria da confiança tampouco a teoria da imprevisibilidade conseguem explicar, mas Mandato, também apaixonado, reviu o contrato, fraudou seu credor e subrogou-lha seu coração. Maria Lúcia, encantada por seu então beneficiário, deferiu seu pedido e em acórdão exeqüendo, rumaram para o foro da despachada.


Oblato, então, não tardou a ouvir de alguns terceiros de má-fé que um aforado usufruira da eficácia de seu negócio e, apelante, rumou para a residência de Maria Lúcia, com animus dominis e arras empunhadas. Não queria saber de remissão e não queria ouvir fundamentações parcas, iria lá por termo à essa litispendência de uma vez por todas, custe o que custar.


Qual não foi sua surpresa ao encontrar, na residência de sua amada, seu antigo e agora ex-amigo, Mandato, apelado no leito. Não conseguia acreditar em tamanho distrato e, sem que suportasse uma remissão, negou o pedido cautelar que Mandato propôs e, inaudita alterta parte, desferiu três tiros em seu amigo, dois em seu amor e um em sua cabeça.




Bruno Demétrio Pereira da Luz

12 comentários:

Isabela Guimarães Rabelo do Amaral disse...

Muito bom, Bruno! Super criativo!


Isabela Guimarães

Bruno Resende disse...

Muito dramático! Ficou muito interessante a utilização dos termos de direito civil, principalmente de contratos, para escrever uma história como essa parodiando o seu significado.

Daniela disse...

Bruno,
adorei o seu texto, muito criativo e dramático!
Parabéns!

Daniela disse...
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Daniela disse...
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Daniela disse...
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Ana Cláudia disse...

Bruno adorei o seu texto, muito criativo! O uso de termos específicos do direito civil para contar uma história de amor é uma idéia muito original que deixou a matéria mais leve.

Amanda Campelo disse...

muito interessante e criativa ficou a sua postagem!

José de Azeredo Coutinho Neto disse...

Resumindo: Oblato ficou sem celebrar o tão esperado contrato de adesão no leito de Maria Lúcia, tendo que se satisfazer com meros atos unilaterais realizados em sua casa hehe.

Belo texto! Superou o "Funk Jurídico" da charanga.

José de Azeredo Coutinho Neto disse...
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Thais disse...

Adorei o texto!Parabéns, Bruno!Muito criativo!Mas muito infeliz o destino do Sr. Oblato, não?

Juliana disse...

Parabéns pelo texto! Muito criativo!